Eu não queria estar sentindo a dor que estava sentindo. Queria que fosse um sonho, que eu nunca mais "abri-se os olhos". Senti uma mão pousar suavemente no meu ombro. Me virei para ver quem era.
_oi Sara._ouve uma pausa._meus sentimentos.
_obrigada Bruno.
Era estranho ver Bruno aqui, eu e ele não somos amigos, estudamos juntos dês do pré, se nós falamos duas vezes foi muito. Bruno é do time dos populares, não fala com pessoas "inferiores" a ele.
Ele é alto, pele branca, olhos negros,cabelo negro arrepiado. Capitão do time de basquete, namora a menina mais vadia da escola.
Hoje ele estava parecendo uma estrela do rock. Camiseta preta, jaqueta de couro preta, calça jeans rasgada no joelhos e all star vermelho.
Vendo ele vestido assim, eu estava parecendo aquelas meninas que vem do interior e não sabe se vestir. Vestia um vestido preto básico, uma melissa preta de salto pequeno, cabelo preso em um coque bagunçado. Dada a circunstância do que aconteceu não me importei com que vestir.
Olhando em volta procurando algum rosto amigo não encontro nenhum. Todos os lugares ocupados eram de pessoas do bairro que no máximo me cumprimentava com um oi. Estava me sentindo sozinha esperava receber algum conforto das minhas duas melhores amigas Carla e Mônica, do meu namorado Jonathan e dos meus pais.
Não conseguia olha para o caixão dos meus avôs em baixo da terra. Mal ouvia o que o padre falava. Olhei para tia Clarice que não para de chorar, notei que tio Carlos não estava mais ao lado dela. Esse dia esta sendo o mais doloroso que já tive. Jamais imaginei estando nesta situação.
Olhei mais uma vez em volta. Entre cinco túmulos afastados avistei três amigos meus do grupo que ando. Estava me perguntando quando é que eles vão vir falar comigo.
Voltei a olhar para Bruno que estava me encarando. Me senti quente de imediato, sera que estava ficando vermelha? Pois não sei, só sei que virei o rosto para ele não ver. Ele tocou meu rosto com delicadeza me obrigando a olhar para ele.
Olhando nesses olhos negros, vi uma pessoa diferente de como Bruno é, filhinho de papai que tem tudo o que quer, não liga se machucou outra pessoa. Só preocupa-se com seu próprio umbigo. Mais olhando nesses olhos vi uma pessoa preocupada e carinhosa.
Engraçado o como a vida é, o consolo vem de onde menos se espera, jamais imaginei ele vindo aqui e sendo gentil comigo. Gentileza não é o sobrenome dele pode acreditar.
_Sara, sinto muito pela sua perda._ senti uma intensidade naqueles olhos , olhando para mim._ sei como eles eram importante para você, se precisar de um amigo, para sair, pegar um cineminha , para tomar um sorvete, ou só para jogar conversa fora. Pode contar comigo, me liga na hora que você quiser.
Respondi que sim com a cabeça, me segurando para não chorar.
Estava abobada por ele ter tido isso. O senhor popular que não fala com ninguém do seu convivo social, esta me chamando para fazer alguma coisa. Sou do tipo a invisível da escola. Meu grupo pode até ser o segundo grupo mais falado na escola por sua rebeldia, mas como sempre sou apagada dos comentários, não sei se é porque vem da namorada do Bruno. Ela me odeia completamente só não sei o que fiz para ela. O grupo do senhor popular "Bruno" não fala com meu grupo nem que os paguem. Não vai ser nada legal para ele quando os amigos dele souberem que ele esteve aqui hoje no enterro dos meus avôs maternos e que me chamou para fazer alguma coisa.
Hoje Bruno me surpreendeu completamente.
vasculhei mais uma vez o cemitério na esperança de avistar minhas duas melhores amigas e meu namorado. Nenhum sinal deles. Não acredito que Jonathan não veio ele é meu namorado dês dos doze anos, ele sempre foi presente na minha vida e hoje que preciso dele ele não esta aqui.
Estou completamente decepcionada com meus pais. Poxa minha mão tinha que estar aqui hoje eles eram pais dela, pelo jeito ela não se preocupa com eles como jamais se preocupou comigo.
Bruno me abraçou me pegando de surpresa, eu o abracei de volta o que mais poderia fazer, estava sendo consolada pela ultima pessoa no mundo, que imaginaria que fizesse isso. Era estranho estar nos braços dele, mas ao mesmo tempo era bom e confortante.
Não sei quando tempo fiquei assim abraçada com Bruno. Afastei-me dele percebendo que as pessoas formavam uma fila para me cumprimentar.
Estavam terminando de arrumar o túmulo dos meus avôs.
Desfiz o abraço de Bruno olhando a fila que se formava, estava cada vez maior. antes de passar para outra pessoa, ele aproximou-se do meu ouvido sussurrou._ me liga._ senti um arrepio passando pela minha espinha. Bruno deslizou sua mão no meu bolso esquerdo do vestido, deixando algo lá.
Fiquei olhando ele se afastar entre os túmulos com um sorrisinho malicioso no rosto.
Parecia que não ia acabar de tanta gente que tinha. O bairro inteiro estava aqui. Depois de quase uma hora abraçando as pessoas, as ouvindo dizer que sentia muito pela minha perda, finalmente estava indo para minha casa, onde era meu refugio.
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